PRIORIDADE<br>À FESTA DO AVANTE!
Continuam os efeitos dos incêndios florestais que «varreram» vastas regiões do País deixando um rasto de destruição com perda de vidas humanas, feridos, gigantescos prejuízos e milhares de hectares de floresta consumida pelas chamas.
Explorando naturais sentimentos de desolação, diversas são as vozes que se erguem procurando, com demagogia e populismo, desviar as atenções das reais causas dos incêndios e, em particular, desresponsabilizar a política de direita por esta calamidade.
O PCP manifestou a sua solidariedade às populações atingidas e o apreço pelo incansável trabalho que milhares de bombeiros e outros intervenientes vêm realizando para minimizar os seus efeitos. E apontou as principais causas deste flagelo: desinvestimento, desordenamento, falta de limpeza das matas, escassez dos meios permanentes e dos meios especiais de combate aos fogos, mas de que são causas mais determinantes a ausência de políticas de apoio ao desenvolvimento da agricultura, aos pequenos e médios agricultores e produtores florestais, o sistemático afrontamento das comunidades dos baldios, a destruição da agricultura familiar, a desertificação do interior incentivadas por falta de actividade produtiva com garantia de rendimento para os produtores, a eliminação de serviços públicos (em particular, escolas e serviços de saúde) e que se acentuaram no mandato do anterior governo PSD/CDS, com a aprovação da chamada Lei da Eucaliptização, que levou ao aumento significativo das áreas de eucalipto plantadas, com a aprovação de uma nova lei dos baldios visando a sua expropriação aos povos, ou com o desvio de mais de 200 milhões de euros do PRODER para outras áreas.
Para o PCP, a prevenção dos incêndios exige uma efectiva política de ordenamento florestal, contrariando as extensas monoculturas, de limpeza da floresta, de plantação de novas áreas de floresta tradicional, combatendo a hegemonia do eucalipto, de abertura de caminhos rurais e aceiros, de valorização da agricultura e da pastorícia, de ocupação do espaço rural.
E, nesta situação, impõem-se medidas excepcionais a que é necessário dar prioridade inequívoca, com uma enérgica e imediata intervenção do Governo tendo em vista assegurar o reforço dos meios de emergência e de combate.
Entretanto, deputados do PCP no Parlamento Europeu e na Assembleia da República visitaram zonas ardidas para se inteirarem da dimensão e consequência dos incêndios e reclamaram a mobilização de todos os apoios possíveis para superar os seus efeitos. O PCP interveio também na Conferência de Líderes da Assembleia da República procurando que esta matéria seja tratada com prioridade e que seja criado um grupo de trabalho de acompanhamento para, com a maior brevidade possível, fazer com o Ministério da Administração Interna o ponto da situação e avaliar as medidas tomadas e a tomar.
O PCP insiste que é necessária outra política agrícola, outra política florestal, definição da defesa da floresta portuguesa como prioridade da acção política, a par da ajuda imediata às populações atingidas, medidas pelas quais não se cansará de levantar a voz.
Uma opção que é inseparável da exigência de uma outra política, patriótica e de esquerda, que em vez de se subordinar aos interesses dos grupos económicos e financeiros, afronte as chantagens e pressões da União Europeia e responda aos problemas e aspirações do povo e do País.
De facto, a situação económica do País confirma as posições do PCP de que Portugal não se conseguirá desenvolver sem se libertar dos constrangimentos externos e sem uma verdadeira política alternativa.
Em duas iniciativas do PCP no Algarve (Monte Gordo e Lagos), no passado domingo, Jerónimo de Sousa sublinhou a imperativa necessidade de o Governo «responder, em primeiro lugar, à complexidade da situação política e social, que continua numa linha de agravamento em várias áreas, resultante destes constrangimentos e condicionamentos externos», reafirmando que é necessário continuar na linha de devolução de rendimentos, reposição de direitos, respeito pelos salários e aumentos das pensões e reformas. Qualquer outra linha que signifique voltar à política de austeridade que PSD e CDS aplicaram e defendem (como Passos Coelho deixou mais uma vez claro nas suas declarações demagógicas e saudosistas do passado domingo) e que foi categoricamente condenada nas eleições de 4 de Outubro, será prontamente combatida pelos trabalhadores e o povo com a firme intervenção do PCP.
É esse o sentido para que aponta o desenvolvimento de lutas dos trabalhadores e das populações pela abertura da extensão de saúde no concelho de Coimbra, da defesa dos interesses e direitos dos produtores de carne e de leite, por medidas de apoio às vítimas dos incêndios, por salários e direitos (entre outras, a greve dos enfermeiros no centro hospitalar do Algarve, de Coimbra e da Figueira da Foz e dos trabalhadores da Valorlis e as lutas em preparação na Praia da Oura e na Marina de Vila Moura).
Estamos a duas semanas da Festa do Avante!. Importa mobilizar energias, nesta recta final e tomar as medidas de direcção que permitam levar tão longe quanto possível a sua divulgação, o alargamento da rede de venda da EP e a construção do muito que ainda falta.
A Festa do Avante!, este ano alargada à Quinta do Cabo, na sua 40.ª edição, vai ser uma Festa ainda maior e melhor que em anos anteriores. A valorização da Festa do Avante! é um inestimável contributo para afirmar os valores de Abril e para o reforço do Partido para a luta que travamos por um Portugal com futuro e por um mundo melhor.